Os autores e seus pseudônimos

Ao andarmos em meio às prateleiras de uma livraria, nós nos deparamos com diversos títulos e autores; alguns que, muitas vezes, não são sequer conhecidos. Há casos, no entanto, em que o autor daquele livro interessante, do qual jamais havíamos ouvido falar, pode ser muito mais conhecido do que parece. Este caso é denominado em nosso idioma como pseudônimos, sendo muito utilizados por autores que simplesmente não querem ter suas identidades e privacidades expostas no caso de uma fama inesperada ou, principalmente, dos que já possuem grande fama e procuram vender uma nova obra sem o estigma e a pressão que já os perseguem.

Esta última razão foi a motivadora de J.K. Rowling e Stephen King adotarem os pseudônimos de Robert Gailbraith e Richard Bachman, respectivamente. A criadora de Harry Potter, sob o nome falso, escreveu apenas The Cuckoo’s Calling – o curioso é que as críticas literárias, mesmo antes de descobrir que Rowling era a a verdadeira autora, já haviam falado muitíssimo bem da obra. King, por sua vez, utilizou a outra identidade durante 5 anos, acumulando um total de 8 obras publicadas.

Muitos outros autores famosos, inclusive na literatura brasileira, tiveram diversas obras assinadas sob outros nomes. Nelson Rodrigues – criador de Suzana Flag e Myrna – e Guimarães Rosa, que criava anagramas com seu próprio nome (Meuriss Aragão, Sá Araújo Ségrim e Soares Guiomar), são somente alguns dos muitos exemplos de novas identidades literárias em nossas terras. Ainda em literatura de língua portuguesa, não podemos deixar de citar o principal criador de pseudônimos: Fernando Pessoa. Mais do que simples pseudônimos, Fernando Pessoa foi capaz de criar identidades e personalidades distintas para cada uma de suas “faces”. Ao todo, foram 4 identidades diferentes: Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Bernardo Soares.

Indo pelo caminho inverso, alguns atores de imenso sucesso são, na verdade, pseudônimos dos verdadeiros nomes, algumas vezes, não tão conhecidos. É caso de Lewis Carrol e George Owell, autores de obras como Alice no País das Maravilhas e A Revolução dos Bichos que foram escritos, na realidade, por Charles Lutwidge Dodgson e Eric Arthur Blair, respectivamente.

O uso de pseudônimos pode ocorrer por diversas razões e cabe ao autor definir o porque e se ele é realmente necessário.
Alguns deles foram citados aqui, mas muitos outros já utilizaram este recurso e, de fato, não é incomum, depois de muito tempo conhecendo uma obra, descobrirmos que ela, na verdade, foi escrita por um autor que jamais imaginaríamos ser o responsável por ela. E esta é a grande questão deste uso: notarmos como um mesmo escritor pode tomar diferentes facetas e personalidades sem que nós, que, muitas vezes nos julgamos grandes conhecedores de sua escrita, sequer percebamos este fato. Coisas que só a literatura pode nos oferecer.

Fonte: Blog Literalmente

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